Primeiro dia do diário.
Hoje, dia 27 de abril de 2020. Não sei há quanto tempo estou em quarentena. Talvez 40 ou 50 dias. Deveria ter começado a escrever antes mas a cabeça não ajuda. Passei esses dias todos preenchendo meus dias com limpeza, desinfecção de ambientes, lavando, passando, cozinhando e tudo que já fazia antes só que agora como uma obrigação para espantar esse vírus para longe.Foram dias tristes, amargos, como muito medo. Ainda estou sentindo assim. Não consigo me concentrar para fazer as coisas que gosto. Antes de começar pra valer a quarentena, cheguei a comprar linhas de crochê, tinha planos de pintar alguns quadros mas a incerteza, o medo me paralisaram. De repente me pergunto pra quê tudo isso? Será que vou sobreviver? Não sei se vou terminar...Morar longe da família é muito angustiante. Ter uma filha em Brasília aonde começou com números assustadores. Meu pai com 93 anos em Goiânia. O restante da família esparramado por esse mundo de meu Deus. Todos os dias eu me levanto e faço plano para ser diferente, fazer as obrigações, depois as coisas que me dão prazer, e rezar. Fiquei mais de um ano afastada da Igreja, não que tenha perdido a fé mas não tinha vontade de ir. Sempre tinha uma crítica com a homilia do Padre, que não agregava nada à minha vida. Hoje está sendo um alento, assistindo pela TV, vendo os santuários vazios mas escutando palavras que nos ajudam a ter um pouco de esperança. Não vou falar de política, hoje não vale a pena. Relembrando, foi num dia 27 de setembro de 1989 que fiz uma cirurgia plástica em Uberaba, para retirar um dutos na mama que estavam obstruídos. Não foi por estética mas mesmo assim quase fui crucificada no Banco porque aconteceu justamente numa mudança de plano econômico, o Plano Verão, Presidente José Sarney.
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